segunda-feira, 16 de junho de 2008

no metro...




A minha cabeça gira. À minha volta vejo gentes às quais não tenho a certeza se posso chamar pessoas!!
Um mendigo atravessa a carruagem. É apenas um miúdo, deve ser mais novo do que eu. O seu acordeon e um cão em miniatura em cima do ombro. E vairas pessoas vão com a mão a carteira e puxam de 20 centimos, "não é muito mas já ajuda" dizem alguns, outros fazem vista grossa como se não tivessem visto o rapaz. Alguns dos que deram os 20 cent. esboçam um sorriso como se tivessem cometido a BOA ACÇÃO DO ANO, e tentando ler o seu pensamento digo que pensam "sou um bom cristão".
Toca aquela especie de campainha e a voz diz "Arroios".
Aqui entram várias pessoas, entre elas turistas. Três homens cercam um turista sem que este dê conta, um pela frente um de lado e o outro quase a cair em cima dele. Seja quem for que olhe vê perfeitamente o que eles estão a fazer, um coloca a mão no bolso do turista e... Pronto ja ficou sem a carteira. Todos viram o que aconteceu, mas o medo consome todos e estes não conseguem fazer nada.
A campainha volta a tocar "Anjos", e os três homens saiem em velucidade da carruagem.
Olho em volta uma e outra vez, pessoas diferentes e iguais, pessoas que nem pessoas devem ser chamadas. Ponho-me a imaginar o que estarão a pensar, ou para onde irão.
No banco da frente um rapariga nos seus 29/30 anos, um livro no colo, lê atentamente, penso que neste moemento não se encontra aqui connosco. Deve estar noutro lugar, como que perdida num mundo talvez melhor e mais interessante.
olho pela janela e por momentos com os meus olhos sigo todos aqueles cabos vermelhos e pretos que se estendem pelas paredes.
Plim Plam "Cais do Sodré - Estação Terminal"

1 comentário:

Nikkita disse...

Infelizmente é o mundo em que vivemos-cada um por si. As pessoas (sim, porque o são ao fim e ao cabo) vivem dormentes, presas no seu próprio mundo. Há um clima de medo, de impotência, ao sentirmos que quando podemos ajudar não o fazemos com medo do que pode daí resultar. No fim fingimos não ouvir, não ver, não sentir e fechamo-nos de novo no nosso mundo, onde estamos seguros....